A Guerra Sonora

Possivelmente o assunto mais debatido na última década entre os profissionais envolvidos na produção áudio é sem dúvida os níveis ridículos de amplitude a que os Registos Musicais estão a ser produzidos.

A Guerra Sonora (ou como é conhecida de ‘Loudness War‘ ou ‘Level War‘) começou pouco tempo depois do CD ser introduzido no começo dos Anos 80 e tem aumentado exponencialmente até ao presente. Mesmo na altura do Vinyl o fenómeno já existia mas era algo que era limitado tecnicamente pela própria reprodução mecânica e pela falta de tecnologia de processamento digital.

O Intervalo Dinâmico (‘Dynamic Range‘) é a diferença entre o som mais baixo e o som mais alto que podemos ouvir num Registo Musical.  Este Intervalo é medido em decibeis (dB).

Intervalos máximos de Dinâmica

CD até 96 dB’s
Formatos Digitais (24 Bits) são calculados até 144 dB’s.

Evolução

armas da guerra sonoraBaseado no diapositivo ‘The Weapons of War’ de Bob Katz

• Aumento da Amplitude
• Diminuição do Impacto, claridade e detalhe
• Diminuição do Intervalo Dinâmico

Causas.:

• Descobrem que pode-se saturar o Registo utilizando a fita magnética e com isso ganhar mais amplitude;

• Inventam os primeiros Leitores de CD’s;

• A Tecnologia Digital começa a ser acessível em 1990 e bastante mais acessível em 1995;

• Inventam os leitores de Música portáteis;

• Aparecem as primeiras lojas virtuais de venda de Música;

Consequências.:

• Remasterizam todos os Álbuns que foram sucessos de vendas Mundiais;

• Começa-se a quebrar a “barreira da física” do Áudio Digital;

• Bandas alternativas e produtores de Musica electrónica começam a englobar a distorção induzida pelas consequências de ultrapassar os limites do Áudio Digital como parte da sua sonoridade, linguagem e expressão musical;

• Em 2000 a diferença entre as amplitudes dos Registos mais baixos e mais altos é de cerca de 20 dB’s, 20 dB’s em 20 anos;

• Como o aparecimento das lojas virtuais, os Singles dominam as vendas e como não há a necessidade de haver a coerência e homogeneidade entre os vários Registos de um Álbum, o Single é quase sempre masterizado a altos níveis em ordem de poder “competir”;

• Alguns Músicos amadores e Produtores independentes bem como a maior parte dos ouvintes pensam que a Masterização é o processo de maximizar os níveis de um Registo;

• O consumidor atribui as culpas de um Registo estar demasiado alto ao profissional responsável pela Masterização sendo que os únicos “culpados” são exclusivamente as pessoas e entidades que fazem essa decisão “artística” e o estabelecem como principal objectivo para esse mesmo Registo Musical.

O Presente e um futuro próximo

• Com as lojas digitais a limitarem os níveis nos seus “provedores” para uma intensidade padrão em todos os Registos, as entidades responsáveis deixam de objectivar níveis altos para os seus Registos visto que não afectará de forma alguma as suas vendas;

• A Intensidade padrão (‘Loudness-normalized‘) revelará que Masterizações demasiado comprimidas iram soar mais fracas, confusas, distorcidas e sem impacto em relação a Registos mais dinâmicos;

• Haverá cada vez melhores registos Musicais;

• Num futuro não muito distante essas mesmas entidades que outrora  decidiram que as Músicas tinham de ficar super comprimidas, vão olhar e “ouvir” para trás e rirem-se do grande gozo que deram.